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domingo, 14 de julho de 2019

AB-REAÇÃO, ANÁLISE DOS SONHOS E TRANSFERÊNCIA

UM RAPAZ VEIO AO CONSULTÓRIO E CONTOU-ME O SEGUINTE SONHO:
"Meu pai sai de casa em seu carro novo. Dirige pessimamente mal e me irrito demais com com isso. O pai ziguezagueia com o carro, de repente dá marcha à ré, coloca o carro em situações perigosas, e vai chocar-se enfim contra um muro. O carro fica seriamente danificado. Grito, furioso, que preste atenção no que faz. Aí meu pai ri, e vejo que ele está completamente bêbado".
Nenhum fato real ocorrera que pudesse justificar o sonho. O sonhador me garante que seu pai, mesmo embriagado, jamais se comportaria daquela maneira. Ele mesmo é automobilista, extremamente cuidadoso, moderado em matéria de bebidas alcoólicas, sobretudo quando dirige; pode irritar-se tremendamente com "barbeiragens" e com pequenos estragos no carro. Seu relacionamento com o pai é positivo. Admira-o por ser um homem excepcionalmente bem-sucedido. Mesmo sem possuir grandes dons interpretativos, é possível constatar que a imagem do pai no sonho não é das mais favoráveis. Que sentido, então, tem este sonho para o filho? Como responder esta pergunta? Sua relação com o pai será boa só na aparência? Será que na realidade se trata apenas de resistências supercompensadas? Se assim fosse, teríamos que dar ao sonho um sinal positivo, isto é, teríamos que dizer: "Esta é sua relação verdadeira com seu pai". Acontece que na realidade não foi constatada nenhuma ambiguidade neurótica na relação real do filho com o pai. Assim sendo, não se justificaria, seria até um descalabro terapêutico, sobrecarregar os sentimentos do rapaz com um pensamento tão destrutivo.
Mas se a sua relação com o pai é realmente boa, então por que este sonho inventa artificialmente uma história tão inverossímil, a fim de desacreditar o pai? No inconsciente do sonhador deve existir uma tendência que produza um sonho desse tipo. Será que é assim porque o rapaz tem mesmo resistências, devido à inveja ou outros sentimentos de inferioridade? Antes de lhe pôr este peso na consciência - o que sempre é arriscado quando se trata de pessoa jovem e sensível - é preferível perguntar, não "POR QUE ", mas "PARA QUE" ele teria tido esse sonho. Neste caso, a resposta seria a seguinte: o seu inconsciente quer obviamente desvalorizar o pai. Considerando essa tendência como uma realidade compensatória, somos levados a admitir que a sua relação com o pai não é apenas boa, mas boa até demais. Efetivamente, o rapaz é um "filhinho de papai". O pai ainda representa garantia demais em sua vida e o sonhador ainda se encontra naquela fase da vida que chamo de provisória. É até um grande perigo, pois de tanto pai, pode não enxergar a sua própria realidade. E, por este motivo, o inconsciente LANÇA MÃO DE UMA BLASFÊMIA ARTIFICIAL para rebaixar o pai e valorizar o sonhador. Uma imoralidade daquelas! Um pai pouco esclarecido protestaria. Mas é, sem dúvida alguma, uma compensação astuciosa, que impele o filho a uma oposição ao pai, sem a qual nunca chegaria à consciência de si mesmo.
Esta última era a interpretação correta. Deu bons resultados, isto é, obteve o assentamento espontâneo do rapaz, sem que nenhum dos valores reais, seja do pai, seja do filho, tivesse sido prejudicado. Uma tal interpretação, no entanto, só foi possível graças a uma investigação meticulosa de toda a fenomenologia consciente da relação pai-filho. Sem tomar conhecimento da situação consciente, o verdadeiro sentido do sonho teria ficado no ar.

C. G. JUNG - AB-REAÇÃO, ANÁLISE DOS SONHOS E TRANSFERÊNCIA

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sexta-feira, 5 de julho de 2019

A ANTECIPAÇÃO EM SONHOS DA RELAÇÃO ENTRE PACIENTE E TERAPEUTA


Resultado de imagem para SONHOS JUNGExistem os numerosos sonhos de início de terapia que nem tocam na etiologia, mas sim em questões bem diferentes, como, por exemplo, o relacionamento com o médico. Para ilustrá-los, vou relatar três sonhos que uma mesma paciente teve ao iniciar sua terapia com três analista diferentes.

Primeiro sonho: "Tinha que atravessar a fronteira do país; não encontro essa fronteira em parte alguma e ninguém é capaz de me dizer onde fica".
Este tratamento foi interrompido pouco depois de iniciado, por não ter dado resultado algum.

Segundo sonho: "Tinha que atravessar a fronteira. A noite está escura e não consigo encontrar a alfândega. Depois de procurar por muito tempo, descubro uma luzinha a grande distância e presumo que a fronteira é ali. Mas, para chegar até lá, tenho que atravessar um vale e uma floresta muito escura. Nisso perco o meu rumo. Percebo então a presença de alguém. Está pessoa me agarra, de repente, feito doida. Acordo amedrontada".
Este tratamento foi interrompido. Não durou mais que umas poucas semanas, por ter ocorrido uma identificação inconsciente entre o analista e a analisanda, o que provocou a sua total desorientação.

Terceiro sonho foi no início do tratamento comigo: "Tenho que atravessar uma fronteira. Aliás, já me encontro do outro lado, dentro do edifício da alfândega Suíça. Estou apenas com uma bolsa e acredito que nada tenho a pagar. Acontece que o funcionário da alfândega mete sua mão dentro da minha bolsa e, para maior espanto meu, tira de dentro dois colchões inteiros".
A paciente casou-se durante o tratamento comigo. Antes de começar, tinha as maiores resistências ao casamento. A etiologia das resistências neuróticas só se tornou visível vários meses depois. Nesses sonhos iniciais não havia referência a ela. Os mesmos eram antecipações e previam as dificuldades que encontraria com cada um dos terapeutas.
Que esses sonhos sirvam para mostrar que muitas vezes eles são antecipações e que, se são observados por um enfoque puramente causalista, podem perder seu verdadeiro sentido. Eles dão uma informação inequívoca sobre a situação analítica, que, quando captada corretamente, pode ser do maior valor terapêutico.
O médico n° 1, ao identificar corretamente a situação, encaminhou a paciente ao médico n° 2. Nesta segunda tentativa, a paciente tirou suas próprias conclusões do sonho e resolveu deixá-lo. Devo dizer que a minha interpretação a decepcionou, mas o fato de que, no sonho, ela já havia atravessado a fronteira, ajudou-a decisivamente a perseverar, apesar de todas as dificuldades.
C. G. JUNG - AB-REAÇÃO, ANÁLISE DOS SONHOS E TRANSFERÊNCIA 16/2



Fonte: 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Os Seres Inorgânicos de Dom Juan podem me influenciar?

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E se o que disse Castaneda através de Dom Juan for verdade sobre os seres inorgânicos?
Segundo Dom Juan:

"Os feiticeiros vêem que existem dois tipos de seres conscientes perambulando pela Terra, os orgânicos e os inorgânicos e, ao comparar um com o outro, vêem que ambos são massas luminosas atravessadas, de todos os ângulos imagináveis, por milhões dos filamentos de energia do universo. São diferentes entre si na forma e no brilho. Os seres inorgânicos são longos, parecidos com velas, porém opacos, enquanto os seres orgânicos são redondos e muito mais brilhantes. Outra diferença digna de nota – que os feiticeiros vêem – é que a vida e a consciência dos seres orgânicos são curtas, porque eles são feitos para o movimento rápido e a pressa, enquanto a vida dos seres inorgânicos é infinitamente mais longa, e sua consciência infinitamente mais calma e profunda.
Imagem relacionadaOs feiticeiros não tiveram qualquer problema em interagir com eles. Os seres inorgânicos possuem o ingrediente crucial para a interação: a consciênciaPara os feiticeiros, ter vida significa ter consciência. Significa ter um ponto de aglutinação e o brilho de consciência ao redor. Essa condição mostra aos feiticeiros que o ser que está à sua frente, orgânico ou inorgânico, é totalmente capaz de perceber. A percepção é vista pelos feiticeiros como a precondição para estar vivo. Com os seres inorgânicos, é muito difícil dizer o que é o quê. Digamos que esses seres são atraídos por nós, ou melhor, são compelidos a interagir conosco.
A dificuldade com os seres inorgânicos é que sua consciência é muito lenta em comparação com a nossa. Leva anos até um feiticeiro ser percebido pelos seres inorgânicos. De modo que é aconselhável ter paciência e esperar. Cedo ou tarde eles aparecem. Mas não como você ou eu. Eles têm um jeito muito especial de se mostrar.

Os feiticeiros os atraem nos sonhos. Eu disse que o que estava envolvido era mais do que atraí-los; através do ato de sonhar os feiticeiros obrigam esses seres a interagir com eles.

Sonhar é manter o posicionamento para o qual o ponto de aglutinação mudou nos sonhos. Esse ato cria uma carga energética especial que atrai a atenção deles. É como isca para peixe; eles vão atrás. Os feiticeiros, ao atravessar os dois primeiros portões do sonhar, lançam a isca para esses seres e obrigam-nos a aparecer.

Atravessando os dois portões você faz com que eles notem sua isca. Agora precisa esperar um sinal. Possivelmente o aparecimento de um deles. Sou de opinião que o sinal deles será simplesmente alguma interferência em seu sonhar. Acredito que os choques de medo que você está experimentando atualmente não sejam indigestão, e sim choques de energia mandados pelos seres inorgânicos.

Algumas vezes eles se materializam no mundo cotidiano, bem na nossa frente. Na maioria das vezes, entretanto, sua presença invisível é marcada por um choque físico; uma espécie de tremor que vem do tutano dos ossos. No sonhar temos o oposto total. Às vezes nós os sentimos como você está sentindo, como um choque de medo. Na maioria das vezes eles se materializam à nossa frente. Como no início do sonhar não temos qualquer experiência, eles podem nos provocar um medo sem tamanho. Um verdadeiro perigo para nós. Através do canal do medo eles podem nos seguir até o mundo cotidiano, com resultados desastrosos.

O medo pode se estabelecer em nossas vidas e teríamos de nos desgarrar de tudo para poder lidar com ele. Os seres inorgânicos podem ser piores do que uma peste. Através do medo eles podem facilmente levar-nos à loucura total.

Nossa expectativa normal, ao entrarmos em interação com os humanos ou com outros seres orgânicos, é receber uma resposta imediata à nossa solicitação. Os seres inorgânicos, entretanto, são separados de nós por uma barreira gigantesca: a energia que se move a diferentes velocidades. Os feiticeiros devem levar em conta essa diferença, medir suas expectativas e manter a solicitação pelo tempo necessário para que ela seja confirmada.

A solicitação é a mesma coisa que o treinamento do sonhar, mas para um resultado perfeito você deve acrescentar ao seu treino o intento de alcançar esses seres inorgânicos. Mandar para eles um sentimento de poder e de confiança, um sentimento de força, de desprendimento. Evitar a todo custo mandar um sentimento de medo ou de morbidez. Eles já são bastante mórbidos; é desnecessário oferecer-lhes sua morbidez, para dizer o mínimo.

Eis o que os feiticeiros fazem com os seres inorgânicos: unem-se a eles. Transformam-nos em aliados. Formam associações, criam amizades extraordinárias. Eu as chamo de vastos empreendimentos, onde a percepção representa o papel principal. Somos seres sociais. Buscamos inevitavelmente a companhia da consciência.

O segredo, com os seres inorgânicos, é não ter medo. E isso deve ser feito desde o início. Temos de mandar para eles um intento de poder e desapego. Nesse intento podemos codificar a mensagem: ‘Não tenho medo de você. Venha me ver. Se vier, dou lhe as boas-vindas. Se não quiser vir, vou sentir sua falta’. Com uma mensagem assim, eles ficarão tão curiosos que certamente irão aparecer.

Os sonhadores, querendo ou não, buscam em seus sonhos associações com outros seres. Isso pode ser um choque para você, mas os sonhadores automaticamente buscam grupos de seres, nexos de seres inorgânicos, neste caso. Os sonhadores procuram-nos avidamente.

Para nós, a novidade são os seres inorgânicos. E a novidade para eles é a nossa maneira de cruzar as fronteiras até o seu reino. De agora em diante você deve ter em mente que os seres inorgânicos, com sua consciência soberba, exercem uma tremenda atração sobre os sonhadores e podem facilmente transportá-los para mundos além de qualquer descrição.

Os feiticeiros da antiguidade usavam-nos, e foram eles que cunharam seu nome: aliados. Seus aliados lhes ensinaram a mover o ponto de aglutinação para fora dos limites do ovo, para o universo não-humano. Quando transportam um feiticeiro, eles transportam-no para mundos além do domínio humano.

Nas questões dos seres inorgânicos sou praticamente um principiante. Recusei essa parte do conhecimento dos feiticeiros porque é muito confusa e caprichosa. Não desejo ficar à mercê de qualquer entidade, orgânica ou inorgânica.

A melhor coisa a fazer com os seres inorgânicos é o que você faz: negar sua existência, mas visitá-los com regularidade e afirmar que está sonhando, e que nos sonhos tudo é possível. Desse modo você não se compromete. Minha recomendação é que você expulse o medo dos sonhos e da vida, para salvaguardar sua unidade.

Levando em consideração toda essa influência psicológica dos seres inorgânicos sob os seres humanos, o que podemos concluir com relação á nossa liberdade psicológica que diz respeito ao nosso livre arbítrio? 
Se somos tão influenciáveis por esses seres a ponto de podermos viajar para outros mundos, mudar de opinião seria o mínimo, então a pergunta que não quer calar é que, se independente do plano em que estamos vivendo, tanto o físico quanto o astral e se um tem influência sob o outro, eu posso estar servindo de ferramenta para terceiros ( seres astrais ) viverem uma vida física através de mim? Ou eles só me procuram se eu os chamar?
Já parou pra pensar nisso?
E eu, onde eu entro, qual vida estou vivendo, quem sou eu?