sexta-feira, 5 de julho de 2019

O INACESSÍVEL DEUS ALÉM DA IMAGO DEI

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas"Como se pareceria a Crítica da razão pura, de Kant, se traduzida para o imaginário psíquico de uma barata? E eu presumo que a diferença entre o ser humano e o Criador de todas as coisas é incomensuravelmente maior do que entre um ser humano e uma barata."

PERGUNTA: Em seu livro "Resposta a Jó" , p.463, o senhor diz o seguinte: "Já me perguntaram se eu acreditava ou não na existência de Deus que fiquei preocupado com a possibilidade de me considerarem um 'psicologista' num sentido mais amplo do que eu mesmo penso". E o senhor diz também: Evidentemente Deus é uma realidade psíquica e não física", mas tenho a impressão de que o senhor não respondeu propriamente à pergunta se acredita ou não na existência de Deus, sem considerar o aspecto do arquétipo. O SENHOR ACREDITA?

JUNG: Esta pergunta é importante porque gostaria de responder a uma espécie de objeção levantada por Glover em seu "Freud or Jung", p.163:
"O sistema de Jung é basicamente irreligioso. Ninguém deve preocupar-se se Deus existe, e muito menos Jung. Tudo o que é necessário é 'experimentar' uma 'atitude' porque isto 'ajuda' a pessoa a viver".
Um arquétipo - enquanto é possível constatá-lo empiricamente - é uma imagem. Como diz o próprio conceito, uma imagem é um quadro de algo. Um quadro arquetípico é como o retrato de um desconhecido numa galeria de arte. Seu nome, sua biografia, sua existência em geral são desconhecidos; supomos, no entanto, que o quadro retrate uma pessoa que já foi viva, alguém que teve uma realidade. Encontramos muitas representações de Deus, mas o original ninguém consegue encontrar. Para mim não há dúvida de que o original se esconde atrás de nossas representações, mas ele nos é inacessível. Jamais estaríamos em condições de perceber o original, porque deveria ser antes de mais nada traduzido em categorias psíquicas para torna-se de alguma forma perceptível. Como se pareceria a Crítica da razão pura, de Kant, se traduzida para o imaginário psíquico de uma barata? E eu presumo que a diferença entre o ser humano e o Criador de todas as coisas é incomensuravelmente maior do que entre um ser humano e uma barata. Por que seríamos tão imodestos a ponto de supor que poderíamos encerrar um ser universal dentro dos estreitos limites de nossa linguagem? Sabemos que as representações de Deus têm papel importante na psicologia, mas não podemos provar a existência física de Deus. Como cientista responsável não farei sermões sobre minha convicção pessoal e subjetiva, que não posso provar. Não contribuirei em nada para o conhecimento ou para a melhoria e alargamento futuros da consciência se fizer uma confissão de meus próprios preconceitos. Vou simplesmente até onde alcança minha mente, e seria imoral do ponto de vista de minha ética intelectual aventurar-me em opiniões que ultrapassam o horizonte de minha compreensão. Se eu dissesse "acredito em tal Deus", isto seria tão inútil quanto o primitivo dizer que há um poderoso fetiche dentro de uma latinha que encontrou na praia. Quando me atenho a uma afirmação que acredito poder provar, isto não significa que eu negue a existência de outra coisa que possa existir além dela. É pura maldade imputar-me uma atitude ateia só porque procuro ser honesto e disciplinado. Para mim pessoalmente, a pergunta se Deus existe ou não é descabida. Estou suficientemente convencido dos efeitos que a humanidade desde sempre atribuiu a um ser divino. Se eu manifestasse para além disso alguma fé ou afirmasse a existência de Deus, isto não seria apenas supérfluo e ineficaz, mas mostraria também que não baseio minhas opiniões em fatos. Quando as pessoas dizem que acreditam em Deus, isto nunca me causou a menor impressão. Ou eu sei alguma coisa, e então não preciso acreditar nela; ou eu acredito em alguma coisa porque não estou certo de saber o que seja. Estou muito satisfeito com o fato de conhecer experiências que não posso qualificar de numinosas ou divinas.
C. G. JUNG - A VIDA SIMBÓLICA 18/2

FONTE: 
C.G. Jung, o Velho Sábio

ARQUÉTIPO E REENCARNAÇÃO


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Os pitagóricos também conservavam a ideia de PALINGENESIA, reencarnação. Supunha-se que o próprio Pitágoras tenha rememorado muitas de suas encarnações. Essa é uma ideia que aflora ocasionalmente na análise. Talvez um sonho sugira a ideia de que a pessoa que sonha teve uma vida anterior. 
Há um exemplo notável desse fenômeno numa anamnese publicada recentemente. 
Uma mulher, através de sonhos e impressões da consciência vigilante, lembrou sua vida no século XIII na França como cátara, uma herege. Ela conseguiu lembrar exatamente acontecimentos específicos e pessoas do passado. Essa é uma experiência simbólica a ser levada a sério, mas não de maneira tão ingênua. Muito provavelmente, trata-se de uma experiência do inconsciente coletivo a que podem chegar psiques posteriores. Se alguém vive fora de determinado arquétipo, esse alguém pode inconscientemente identificar-se com outros que viveram até o fim esse mesmo arquétipo. Embora não tenhamos toda a anamnese, essa paciente, uma católica que, segundo nos disseram, foi excomungada, talvez por meio dessa experiência, tenha sido posta numa condição psicológica análoga à dos hereges do século XIII. Isso poderia dar a razão da identificação inconsciente com os cátaros, o que então sobreviveu no imaginário simbólico da reencarnação.

Edward F. Edinger - A Psique na Antiguidade - Filosofia Grega Antiga de Thales a Plotino

RETIRADO DA PÁGINA DO FACEBOOK, 



A PSIQUE SÓ NÃO ESTÁ ONDE UMA INTELIGÊNCIA MÍOPE A PROCURA


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Retirado da Pagina do Facebook, C.G. Jung, o Velho Sábio

Não há dúvida alguma de que as neuroses provêm de causas psíquicas. Na realidade, é difícil imaginar que um transtorno possa ser curado num instante, mediante uma simples confissão. Mas vi um caso de febre histérica, com temperatura de trinta e nove graus, curada em poucos minutos depois de detectada, mediante confissão, sua causa psicológica. E como explicaríamos os casos de enfermidades físicas, que são influenciadas ou mesmo curadas pela simples discussão de certos conflitos psíquicos penosos? Presenciei um caso de psoríase, que se estendia praticamente por todo o corpo e
que depois de algumas semanas de tratamento psicológico diminuiu em cerca de nove décimos. Num outro caso, um paciente foi submetido a uma operação, por causa da dilatação do intestino grosso; foram extraídos quarenta centímetros deste último, mas logo se verificou uma considerável dilatação da parte restante.) paciente, desesperado, recusou-se a uma segunda operação, embora o cirurgião afirmasse sua urgência. Pois bem, logo que foram descobertos certos fatos psíquicos de natureza íntima, o um corpo de matéria sutil, pelo menos poder-se-ia dizer que intestino grosso do paciente começou a funcionar normalmente. Experiências deste tipo, nada raras, tornam muito difícil acreditar que a psique nada representa ou que um fato imaginário é irreal. A psique só não está onde uma inteligência míope a procura. Ela existe, embora não sob uma forma física, É um preconceito quase ridículo a suposição de que a existência só pode ser de natureza corpórea. Na realidade, a única forma de existência de que temos conhecimento imediato é a psíquica. Poderíamos igualmente dizer que a existência física é pura dedução uma vez que só temos alguma noção da matéria através de imagens psíquicas, transmitidas pelos sentidos.



C. G. JUNG - PSICOLOGIA E RELIGIÃO

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Os Seres Inorgânicos de Dom Juan podem me influenciar?

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E se o que disse Castaneda através de Dom Juan for verdade sobre os seres inorgânicos?
Segundo Dom Juan:

"Os feiticeiros vêem que existem dois tipos de seres conscientes perambulando pela Terra, os orgânicos e os inorgânicos e, ao comparar um com o outro, vêem que ambos são massas luminosas atravessadas, de todos os ângulos imagináveis, por milhões dos filamentos de energia do universo. São diferentes entre si na forma e no brilho. Os seres inorgânicos são longos, parecidos com velas, porém opacos, enquanto os seres orgânicos são redondos e muito mais brilhantes. Outra diferença digna de nota – que os feiticeiros vêem – é que a vida e a consciência dos seres orgânicos são curtas, porque eles são feitos para o movimento rápido e a pressa, enquanto a vida dos seres inorgânicos é infinitamente mais longa, e sua consciência infinitamente mais calma e profunda.
Imagem relacionadaOs feiticeiros não tiveram qualquer problema em interagir com eles. Os seres inorgânicos possuem o ingrediente crucial para a interação: a consciênciaPara os feiticeiros, ter vida significa ter consciência. Significa ter um ponto de aglutinação e o brilho de consciência ao redor. Essa condição mostra aos feiticeiros que o ser que está à sua frente, orgânico ou inorgânico, é totalmente capaz de perceber. A percepção é vista pelos feiticeiros como a precondição para estar vivo. Com os seres inorgânicos, é muito difícil dizer o que é o quê. Digamos que esses seres são atraídos por nós, ou melhor, são compelidos a interagir conosco.
A dificuldade com os seres inorgânicos é que sua consciência é muito lenta em comparação com a nossa. Leva anos até um feiticeiro ser percebido pelos seres inorgânicos. De modo que é aconselhável ter paciência e esperar. Cedo ou tarde eles aparecem. Mas não como você ou eu. Eles têm um jeito muito especial de se mostrar.

Os feiticeiros os atraem nos sonhos. Eu disse que o que estava envolvido era mais do que atraí-los; através do ato de sonhar os feiticeiros obrigam esses seres a interagir com eles.

Sonhar é manter o posicionamento para o qual o ponto de aglutinação mudou nos sonhos. Esse ato cria uma carga energética especial que atrai a atenção deles. É como isca para peixe; eles vão atrás. Os feiticeiros, ao atravessar os dois primeiros portões do sonhar, lançam a isca para esses seres e obrigam-nos a aparecer.

Atravessando os dois portões você faz com que eles notem sua isca. Agora precisa esperar um sinal. Possivelmente o aparecimento de um deles. Sou de opinião que o sinal deles será simplesmente alguma interferência em seu sonhar. Acredito que os choques de medo que você está experimentando atualmente não sejam indigestão, e sim choques de energia mandados pelos seres inorgânicos.

Algumas vezes eles se materializam no mundo cotidiano, bem na nossa frente. Na maioria das vezes, entretanto, sua presença invisível é marcada por um choque físico; uma espécie de tremor que vem do tutano dos ossos. No sonhar temos o oposto total. Às vezes nós os sentimos como você está sentindo, como um choque de medo. Na maioria das vezes eles se materializam à nossa frente. Como no início do sonhar não temos qualquer experiência, eles podem nos provocar um medo sem tamanho. Um verdadeiro perigo para nós. Através do canal do medo eles podem nos seguir até o mundo cotidiano, com resultados desastrosos.

O medo pode se estabelecer em nossas vidas e teríamos de nos desgarrar de tudo para poder lidar com ele. Os seres inorgânicos podem ser piores do que uma peste. Através do medo eles podem facilmente levar-nos à loucura total.

Nossa expectativa normal, ao entrarmos em interação com os humanos ou com outros seres orgânicos, é receber uma resposta imediata à nossa solicitação. Os seres inorgânicos, entretanto, são separados de nós por uma barreira gigantesca: a energia que se move a diferentes velocidades. Os feiticeiros devem levar em conta essa diferença, medir suas expectativas e manter a solicitação pelo tempo necessário para que ela seja confirmada.

A solicitação é a mesma coisa que o treinamento do sonhar, mas para um resultado perfeito você deve acrescentar ao seu treino o intento de alcançar esses seres inorgânicos. Mandar para eles um sentimento de poder e de confiança, um sentimento de força, de desprendimento. Evitar a todo custo mandar um sentimento de medo ou de morbidez. Eles já são bastante mórbidos; é desnecessário oferecer-lhes sua morbidez, para dizer o mínimo.

Eis o que os feiticeiros fazem com os seres inorgânicos: unem-se a eles. Transformam-nos em aliados. Formam associações, criam amizades extraordinárias. Eu as chamo de vastos empreendimentos, onde a percepção representa o papel principal. Somos seres sociais. Buscamos inevitavelmente a companhia da consciência.

O segredo, com os seres inorgânicos, é não ter medo. E isso deve ser feito desde o início. Temos de mandar para eles um intento de poder e desapego. Nesse intento podemos codificar a mensagem: ‘Não tenho medo de você. Venha me ver. Se vier, dou lhe as boas-vindas. Se não quiser vir, vou sentir sua falta’. Com uma mensagem assim, eles ficarão tão curiosos que certamente irão aparecer.

Os sonhadores, querendo ou não, buscam em seus sonhos associações com outros seres. Isso pode ser um choque para você, mas os sonhadores automaticamente buscam grupos de seres, nexos de seres inorgânicos, neste caso. Os sonhadores procuram-nos avidamente.

Para nós, a novidade são os seres inorgânicos. E a novidade para eles é a nossa maneira de cruzar as fronteiras até o seu reino. De agora em diante você deve ter em mente que os seres inorgânicos, com sua consciência soberba, exercem uma tremenda atração sobre os sonhadores e podem facilmente transportá-los para mundos além de qualquer descrição.

Os feiticeiros da antiguidade usavam-nos, e foram eles que cunharam seu nome: aliados. Seus aliados lhes ensinaram a mover o ponto de aglutinação para fora dos limites do ovo, para o universo não-humano. Quando transportam um feiticeiro, eles transportam-no para mundos além do domínio humano.

Nas questões dos seres inorgânicos sou praticamente um principiante. Recusei essa parte do conhecimento dos feiticeiros porque é muito confusa e caprichosa. Não desejo ficar à mercê de qualquer entidade, orgânica ou inorgânica.

A melhor coisa a fazer com os seres inorgânicos é o que você faz: negar sua existência, mas visitá-los com regularidade e afirmar que está sonhando, e que nos sonhos tudo é possível. Desse modo você não se compromete. Minha recomendação é que você expulse o medo dos sonhos e da vida, para salvaguardar sua unidade.

Levando em consideração toda essa influência psicológica dos seres inorgânicos sob os seres humanos, o que podemos concluir com relação á nossa liberdade psicológica que diz respeito ao nosso livre arbítrio? 
Se somos tão influenciáveis por esses seres a ponto de podermos viajar para outros mundos, mudar de opinião seria o mínimo, então a pergunta que não quer calar é que, se independente do plano em que estamos vivendo, tanto o físico quanto o astral e se um tem influência sob o outro, eu posso estar servindo de ferramenta para terceiros ( seres astrais ) viverem uma vida física através de mim? Ou eles só me procuram se eu os chamar?
Já parou pra pensar nisso?
E eu, onde eu entro, qual vida estou vivendo, quem sou eu? 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

UMA EXPLICAÇÃO DO PORQUE O FEMININO TEM SIDO OPRIMIDO

                                                                  by Noel Huntley Ph.D.



Estritamente, não são as mulheres que foram reprimidas, mas a energia feminina - elas não são exatamente sinônimas.

Essa ação negativa pode ser considerada um dos segredos mais bem guardados, certamente ocultos, no planeta Terra por muitos milhares de anos.

Essa supressão se aplica a machos e fêmeas. 'Macho' não significa masculino. A física eventualmente será suficientemente avançada na humanidade para entender a proporção das energias masculinas e femininas.

O macho equilibrado contém uma proporção do componente energético feminino; o ideal seria 50%; isto é 50/50 masculino / feminino. Com esta relação, a energia masculina não pode distorcer. A energia feminina nas mulheres pode ser considerada ideal mesmo se 100% feminina; embora um
pequeno componente da energia masculina possa ser prático, mas poderia, no entanto, ser fornecido pelo homem.

Essa grande diferença parece ser esperada, já que só temos que observar a enorme diferença neste planeta entre machos e fêmeas - eles são quase alienígenas um em relação ao outro (isso não é facilmente observado por causa do que é dado como certo; programado).

Se considerarmos o masculino teórico equilibrado e programá-lo como mais masculino, precisamente o que a sociedade encoraja hoje com grande desconhecimento do quadro geral, se torna aberral; ou seja, um comportamento que se desvia da norma (a condição hoje). E essa civilização seguirá em direção à destruição.

A inspiração para até mesmo para Einstein ao fazer uma descoberta, terá origem dentro do componente de energia feminina dentro do indivíduo, e a energia masculina o trará à fruição. Assim, o feminino inicia e cria, e a energia masculina coloca isso em prática. Note que similarmente a fêmea foi programada para ser mais masculina.

Em termos de física, a energia magnética está associada à polaridade feminina e ao masculino à energia elétrica. Alguns contatados tem sugerido isso há algum tempo, mas o Dr. Larry Boren chegou a escrever um livro sobre isso em 1965, que será reimpresso e apreciado muito mais hoje. Ele deixa claro que a força magnética vem primeiro e depois a elétrica; e apropriadamente acrescenta que a onda eletromagnética deve ser renomeada como onda magnético-elétrica.

Este princípio feminino / masculino está presente em todos os fenômenos universais. Uma das ferramentas de controle e supressão usada pelos alienígenas negativos, em particular, os répteis draconianos, operando essencialmente através dos humanos, é influenciar a energia da espécie em direção ao masculino. Se alguém quiser um exemplo de ficção científica de uma civilização "avançada" que é desequilibrada dessa maneira, considere os klingons em Star Trek.

domingo, 25 de junho de 2017

O Complexo de Jonas: O Curioso Medo do Sucesso

Sair da zona de conforto: se está muito difícil sair dela, talvez você tenha o, Complexo de Jonas.

A grande maioria dos psicólogos estão familiarizados com o conceito de auto-realização de Abraham Maslow. Todos nós sabemos que devemos comer, beber ou dormir, mas uma vez que essas necessidades fisiológicas sejam satisfeitas, outras necessidades aspiram a um nível mais elevado de acordo com a teoria de Maslow pirâmide.

Resultado de imagem para Maslow pirâmide.
No topo da pirâmide estão as necessidades de auto-realização: as necessidades psicológicas e espirituais que nos fazem sentir realizados. Maslow foi o pai da psicologia humanista, a corrente psicológica que postula a existência de uma tendência humana básica (auto-realização) com a saúde mental e bem-estar.

O Complexo de Jonas

Maslow no entanto, ao contrário de auto-realização, cunhou o termo "O Complexo de Jonas" para se referir ao medo da nossa própria grandeza, evasão ou fuga do destino de nossos melhores talentos.

Ao pesquisar o seu conceito de auto-realização, o psicólogo humanista colocou a questão: se nós nascemos com potencial ilimitado para nos auto-desenvolver "Por que nem todos conseguem alcançar a meta da auto-realização?". Uma das razões que Maslow afirma em seu livro The Farther Reaches of Human Nature ( O alcance mais distante da natureza humana ) publicado em 1971, é o Complexo Jonas.

Maslow explica que o complexo de Jonas seria, como nós tememos o pior de nós mesmos, também tememos o melhor, tememos nossas maiores possibilidades. Nos assusta chegar a ser aquele que imaginamos, em nossos melhores momentos, as nossas condições idôneas. Desfrutamos, inclusive nos deleitamos, perante as divinas possibilidades que descobrimos em nossos momentos felizes, mas igualmente, nos agitamos perante o medo ou a debilidade dessas possibilidades, talvez por não querer sair da zona de conforto.

Fora da zona de conforto
Muitas vezes, o medo de sair da zona de conforto é o que nos limita seguir crescendo ou o que causa-nos ansiedade. Na verdade, muitas vezes até, chegamos a preferir o que é ruim, do que nos arriscar a buscar nossa auto-realização. Permanecemos ancorados na zona de conforto, evitando a auto-reflexão que é o que nos faz crescer, isso pode fazer com que continuemos ancorados nos nossos medos, mas o que serve de consolo para nossa justificativa interna, é que esse medo, evita as incertezas.

Nós discutimos no artigo Desenvolvimento Pessoal: 5 razões para a auto-reflexão, que viver constantemente de nossos desejos e dos nossos desejos não realizados, sem apostar neles, gera baixa auto-estima, sentimentos de inadequação, isolamento social, baixa assertividade, estresse e ansiedade constantes, problemas psicossomáticos e pobre bem-estar emocional.

Desbloquear-se para mover-se para o sucesso
Apesar de reflexão para o desenvolvimento pessoal poder parecer fácil à primeira vista, muitas pessoas buscam profissionais de coaching para desbloqueá-las. O treinador é como um facilitador do desenvolvimento pessoal, o cliente recebe através perguntas socrácticas, ponderar questões, permitindo-lhe continuar a crescer como pessoa. O treinador ajuda a conectar com os desejos e emoções, favorecendo a auto-realização e permitindo que o cliente chegue ao lugar onde quer estar.

Em suma, a vida nos leva a seguir o caminho para a auto-realização. Ao longo de nossas experiências, nos deparamos com várias dificuldades que nos impedem de olhar claramente para o futuro, e isso gera medos, inseguranças e nos fazem sentir perdidos. Alguns esperam que tudo isso aconteça e se encaixe sozinho, outros buscam uma e outra vez o que os faz sentir vivos, fazendo com que se sintam bem. É a melhor forma de abandonar o pessimismo ou abandonar maus hábitos que não recebem as metas que estabelecemos.

Fonte: https://psicologiaymente.net/desarrollo/complejo-de-jonas#!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O nosso daimon pessoal - C. G. Jung

Naturalmente os arquétipos não representam uma única base da aparência das representações. Enquanto constituem uma qualidade do instinto, participam de sua natureza dinâmica e possuem por conseguinte uma energia específica que determina, às vezes de uma forma constrangedora, modos de comportamento, impulsões. Isso quer dizer que, em certas circunstâncias, os arquétipos tem uma força de possessividade e de obsessão (numinosidade). Concebê-los sob a forma de daimonia (poderes sobrenaturais) corresponde perfeitamente à sua natureza.
Resultado de imagem para meu eu essenciaSe alguém por acaso acreditar que uma tal formulação possa alterar de algum modo a natureza das coisas, denotará  que é excessiva sua crença no valor das palavras. Os dados reais não mudam quando aplicamos a eles outros nomes.
Só nós poderíamos, casualmente, ser afetados. Se alguém concebesse "Deus" como um "puro nada" de nada atingiria o princípio que nos ultrapassa. Continuaríamos tão possuídos por ele quanto antes. Não amputamos absolutamente a realidade mudando-lhe o nome; no máximo poderemos tomar uma falsa atitude em relação a ela, se o nome novo implicar numa negação; inversamente, a denominação positiva de uma coisa incognoscível poderá colocar- nos diante dela numa atitude positiva. É por isso que quando aplicamos a "Deus" a denominação de "arquétipo" nada exprimimos sobre sua natureza própria. Mas reconhecemos, assim, que "Deus" está inscrito nessa parte de nossa alma pré-existente á nossa consciência e que, portanto, Ele não pode ser uma invenção desta última. Desta forma, Deus não é nem afastado nem aniquilado, mas pelo contrário é posto na proximidade daquilo que se pode experimentar. Esta circunstância não deixa de ser essencial: é comum a suspeita de que uma coisa não experimentável não existe. Tal suspeita leva alguns pretensos crentes ( que não se dão ao trabalho de examinar mais a fundo a questão) a nomear de ateísmo ou então de gnosticismo a minha tentativa de reconstituir a alma primitiva inconsciente; de qualquer modo não reconhecem qualquer realidade psíquica como a do inconsciente. Se este significa alguma coisa, deve compor-se das fases percorridas antes do desenvolvimento histórico de nossa psique consciente.
Quase todos concordam que a hipótese do homem ter sido criado em toda a sua glória no sexto dia da criação, sem degrau anterior, é muito simplista e arcaica para nos satisfazer. Mas em relação a psique, as concepções arcaicas continuam em vigor: a psique não teria antecedentes arquétípicos; seria uma tábula rasa, uma criação inteiramente nova, que tem origem na ocasião do nascimento. Em suma, seria apenas o que ela mesma imagina ser.
 A consciência é filogenética e ontogeneticamente secundaria. O corpo tem uma pré-história anatômica de milhões de anos, o mesmo acontece com o sistema psíquico. O corpo humano atual representa em cada uma de suas partes, o resultado desse desenvolvimento, transparecendo as etapas prévias de seu presente, o mesmo acontece com a psique. A consciência começou segundo a perspectiva de seu desenvolvimento histórico, no estado quase animal de inconsciência, que a criança repete em sua diferenciação. A psique da Criança em estado pré consciente é nada menos que tábula ras;  pode-se reconhecer, sob todos os pontos de vista, que é pré-formada individualmente e equipada com todos os instintos especificamente humanos, inclusive com os fundamentos da priori das funções superiores.
É sobre esta base complexa que o eu se forma e é ela que o conduzirá ao longo da vida. Quando tal base não preenche seu papel de apoio, o Eu se detém e morre. A existência e a realidade dessa base são de importância vital. Comparado a ela, o mundo exterior tem uma significação secundária, pois afinal o que significará esse mundo exterior se me faltar o impulso endógeno que, normalmente, me incita a apoderar me dele? Jamais uma vontade consciente substituirá o instinto de vida. Esse instinto surge em nosso íntimo como uma obrigação, uma vontade, uma ordem e quando o chamamos de daimon pessoal, como sempre aconteceu e acontece, pelo menos exprimimos de forma pertinente a situação psicológica. E mesmo quando tentamos circunscrever mais precisamente mediante o conceito de arquétipo. o ponto em que o daimon nos agarra, nada eliminamos e nada podemos fazer para nos aproximar da Fonte da Vida.
É muito natural, pois, que na qualidade de psiquiatra (que significa médico da Alma) eu me incline para tal concepção, pois o que me interessa em primeiro lugar é saber como ajudar meus doentes a encontrar sua base e sua saúde. Através da experiência percebi a soma de conhecimentos que tal tarefa implica! Mas o mesmo ocorreu com a medicina em geral. Ela não progrediu descobrindo a cura mediante truques que teriam simplificado enormemente seus métodos. Pelo contrário, enveredou a perder de vista por complicações em grande parte devidas a empréstimos feitos a todas as ciências possíveis. Quanto a mim, não pretendo interferir de forma alguma e outras matérias; procuro simplesmente utilizar meus conhecimentos em meu domínio. Naturalmente, tenho o dever de justificar essas utilizações e suas consequências. Pois descobertas são feitas quando se transferem conhecimento de um domínio para outro afim de empregá-los de maneira prática.
Quantos achados não teriam ocorrido se os raios X deixassem de ser utilizados em medicina por ser uma descoberta da física! Quanto ao fato de que, em certos casos possa haver perigo na terapia pelos raios X, isso interessa ao médico, mas não necessariamente ao físico que serve desses raios de outra maneira e para outros fins. O físico não pensará que o médico pretende iludi-lo ao chamar-lhe a atenção para certas propriedades nocivas ou salutares da radioscopia Quando uso por exemplo conhecimentos históricos ou teológicos no domínio da psicoterapia, eles aparecem naturalmente sob uma nova luz e levam a outras conclusões que não aqueles limitados domínios de sua especialidade, onde servem para outros fins.
O fato de que uma polaridade está a base do dinamismo psíquico implica que a problemática dos opostos no sentido mais amplo, penetra no campo de discussão psicológica com todos os seus aspectos religiosos e filosóficos. Estes, então, perdem o caráter independente que possuem em seu domínio especializado e isto, necessariamente, porque são reprimidos, interrogados, sob um ângulo psicológico; não são mais considerados sob o ângulo da verdade filosófica ou religiosa, mas examinados no sentido de apurar o que comportam de significação e de fundamentos psicológicos
 Livres da pretensão de constituíem verdades idependentes,o fato de serem consideradas empiricamente,isto é, segundo a perspectiva da ciência de observação, faz com que tais verdades sejam sobretudo e antes de mais nada, fenômenos psíquicos. Este fato me parece indiscutível. Essas verdades pretendem ser fundadas em si mesmas e por elas mesmas; mas o modo psicológico de considerar as coisas perturba essa pretensão: isso não exclui simplesmente é possibilidade de que tal exigência seja vista ilegítima mas lhe consagra uma atenção toda particular. A psicologia ignora julgamentos tais como: "Isso é apenas religioso" "Isso é apenas filosófico" ao contrário da censura que a ela se dirige e frequentemente, em particular por parte do mundo teológico "Isso é apenas psíquico".
Todas as expressões possíveis e imagináveis, quaisquer que sejam, são produtos da psique, entre outras coisas, a psique aparece como um processo dinâmico que repousa sobre antíteses e sobre o caráter antiético de seus conteúdos, podendo ser representada como uma tensão entre dois polos. Como os princípios explicativos não devem ser multiplicados além do necessário, e a perspectiva energética foi satisfatória enquanto o princípio explicativo das ciências físicas, podemos limitar-nos a ela também, no que diz respeito à psicologia.
Não há qualquer dado seguro que demonstre que outra concepção seja mais adaptada; além disso, o caráter antiético, a polaridade da psique e de seus conteúdos se revelaram como um dos resultados essenciais da experiência psicológica.
Se a concepção energética da psique é correta, todas as constatações que procuram ultrapassaram as fronteiras da polaridade psíquica, como por exemplo, as afirmações a respeito de uma realidade metafísica, serão paradoxais se pretenderem reinvidicar qualquer validade. A psique não pode ir além de si mesma, isto é, não pode estabelecer o estatuto de qualquer Verdade Absoluta, pois, a polaridade que lhe é inerente, condiciona a relatividade de suas afirmações. Sempre que a psique proclama verdades absolutas, como por exemplo, "a essência eterna é o movimento", ou " a essência eterna é o Uno" - ela cai, nolen volens, num ou noutro, dos polos opostos. Pode poder-se-ia também afirmar: "a essência eterna é a imobilidade" ou "a essência eterna é o Todo". Caindo na unilateralidade a psique se desintegra e perde a faculdade de discernimento. Degenera numa sucessão de estados psíquicos irrefletidos ( porquanto se mostram refratários a reflexão) cada um deles acreditando-se fundado em si mesmo porque não vê ou não pode ainda ver outros estados.
Isso não exprime, naturalmente, qualquer julgamento de valor, mas formula o fato de que, muitas vezes ou mesmo inevitavelmente, se ultrapassa a fronteira, pois "tudo é transição". A tese é seguida pela antítese e entre as duas, nascem um terceiro termo, uma lysis, uma solução que não era perceptível anteriormente. Através desse processo, a psique mais uma vez, manifesta sua natureza antiética sem sair realmente de seus próprios limites.
Mediantee o esforço te mostrar as limitações da psique, não quero de forma alguma sugerir que existe somente a psique. Mas quando e na medida em que se trata de percepção e de conhecimento, não temos meios de ver além da psique. A ciência está implicitamente convencida de que existe um objeto não psíquico transcendente. Mas sabe também. como é difícil reconhecer a natureza real do objeto, particularmente quando o órgão das percepções é deficiente ou inexistente, ou quando as formas de pensamento que lhe seriam adaptadas, não existem, ou ainda estão por serem criadas. No caso em que, nem nossos órgãos sensoriais, nem seus aparelhos auxiliares artificiais nos garantem a existência de um objeto real, as dificuldades aumentam em proporções gigantescas, de maneira que se é simplesmente tentado a negar tal objeto.
Nunca cheguei a uma conclusão precipitada desse tipo porque nunca acreditei que nossas percepções pudessem aprender todas as fórmulas de existência. Por isso estabeleci o postulado de que o fenômeno das configurações arquetípicas - acontecimentos psíquicos por excelência -repousa sobre a existência de uma base psicóide, isto é, condicionalmente psíquica mas ligado a outras formas de ser. Por falta de elementos empíricos, não conheço as formas de existência que são corretamente designadas pelo termo espiritua.  Sob o ponto de vista da ciência, não é importante o que eu possa crer a esse respeito. Devo reconhecer minha ignorância. Mas na medida em que os arquétipos se revelam eficazes são para mim efetivos. Se bem que eu não saiba em que consistem realmente.

Trecho do livro: Memórias, Sonhos, Reflexões de C.G.Jung