domingo, 25 de junho de 2017

O Complexo de Jonas: O Curioso Medo do Sucesso

Sair da zona de conforto: se está muito difícil sair dela, talvez você tenha o, Complexo de Jonas.

A grande maioria dos psicólogos estão familiarizados com o conceito de auto-realização de Abraham Maslow. Todos nós sabemos que devemos comer, beber ou dormir, mas uma vez que essas necessidades fisiológicas sejam satisfeitas, outras necessidades aspiram a um nível mais elevado de acordo com a teoria de Maslow pirâmide.

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No topo da pirâmide estão as necessidades de auto-realização: as necessidades psicológicas e espirituais que nos fazem sentir realizados. Maslow foi o pai da psicologia humanista, a corrente psicológica que postula a existência de uma tendência humana básica (auto-realização) com a saúde mental e bem-estar.

O Complexo de Jonas

Maslow no entanto, ao contrário de auto-realização, cunhou o termo "O Complexo de Jonas" para se referir ao medo da nossa própria grandeza, evasão ou fuga do destino de nossos melhores talentos.

Ao pesquisar o seu conceito de auto-realização, o psicólogo humanista colocou a questão: se nós nascemos com potencial ilimitado para nos auto-desenvolver "Por que nem todos conseguem alcançar a meta da auto-realização?". Uma das razões que Maslow afirma em seu livro The Farther Reaches of Human Nature ( O alcance mais distante da natureza humana ) publicado em 1971, é o Complexo Jonas.

Maslow explica que o complexo de Jonas seria, como nós tememos o pior de nós mesmos, também tememos o melhor, tememos nossas maiores possibilidades. Nos assusta chegar a ser aquele que imaginamos, em nossos melhores momentos, as nossas condições idôneas. Desfrutamos, inclusive nos deleitamos, perante as divinas possibilidades que descobrimos em nossos momentos felizes, mas igualmente, nos agitamos perante o medo ou a debilidade dessas possibilidades, talvez por não querer sair da zona de conforto.

Fora da zona de conforto
Muitas vezes, o medo de sair da zona de conforto é o que nos limita seguir crescendo ou o que causa-nos ansiedade. Na verdade, muitas vezes até, chegamos a preferir o que é ruim, do que nos arriscar a buscar nossa auto-realização. Permanecemos ancorados na zona de conforto, evitando a auto-reflexão que é o que nos faz crescer, isso pode fazer com que continuemos ancorados nos nossos medos, mas o que serve de consolo para nossa justificativa interna, é que esse medo, evita as incertezas.

Nós discutimos no artigo Desenvolvimento Pessoal: 5 razões para a auto-reflexão, que viver constantemente de nossos desejos e dos nossos desejos não realizados, sem apostar neles, gera baixa auto-estima, sentimentos de inadequação, isolamento social, baixa assertividade, estresse e ansiedade constantes, problemas psicossomáticos e pobre bem-estar emocional.

Desbloquear-se para mover-se para o sucesso
Apesar de reflexão para o desenvolvimento pessoal poder parecer fácil à primeira vista, muitas pessoas buscam profissionais de coaching para desbloqueá-las. O treinador é como um facilitador do desenvolvimento pessoal, o cliente recebe através perguntas socrácticas, ponderar questões, permitindo-lhe continuar a crescer como pessoa. O treinador ajuda a conectar com os desejos e emoções, favorecendo a auto-realização e permitindo que o cliente chegue ao lugar onde quer estar.

Em suma, a vida nos leva a seguir o caminho para a auto-realização. Ao longo de nossas experiências, nos deparamos com várias dificuldades que nos impedem de olhar claramente para o futuro, e isso gera medos, inseguranças e nos fazem sentir perdidos. Alguns esperam que tudo isso aconteça e se encaixe sozinho, outros buscam uma e outra vez o que os faz sentir vivos, fazendo com que se sintam bem. É a melhor forma de abandonar o pessimismo ou abandonar maus hábitos que não recebem as metas que estabelecemos.

Fonte: https://psicologiaymente.net/desarrollo/complejo-de-jonas#!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O nosso daimon pessoal - C. G. Jung

Naturalmente os arquétipos não representam uma única base da aparência das representações. Enquanto constituem uma qualidade do instinto, participam de sua natureza dinâmica e possuem por conseguinte uma energia específica que determina, às vezes de uma forma constrangedora, modos de comportamento, impulsões. Isso quer dizer que, em certas circunstâncias, os arquétipos tem uma força de possessividade e de obsessão (numinosidade). Concebê-los sob a forma de daimonia (poderes sobrenaturais) corresponde perfeitamente à sua natureza.
Resultado de imagem para meu eu essenciaSe alguém por acaso acreditar que uma tal formulação possa alterar de algum modo a natureza das coisas, denotará  que é excessiva sua crença no valor das palavras. Os dados reais não mudam quando aplicamos a eles outros nomes.
Só nós poderíamos, casualmente, ser afetados. Se alguém concebesse "Deus" como um "puro nada" de nada atingiria o princípio que nos ultrapassa. Continuaríamos tão possuídos por ele quanto antes. Não amputamos absolutamente a realidade mudando-lhe o nome; no máximo poderemos tomar uma falsa atitude em relação a ela, se o nome novo implicar numa negação; inversamente, a denominação positiva de uma coisa incognoscível poderá colocar- nos diante dela numa atitude positiva. É por isso que quando aplicamos a "Deus" a denominação de "arquétipo" nada exprimimos sobre sua natureza própria. Mas reconhecemos, assim, que "Deus" está inscrito nessa parte de nossa alma pré-existente á nossa consciência e que, portanto, Ele não pode ser uma invenção desta última. Desta forma, Deus não é nem afastado nem aniquilado, mas pelo contrário é posto na proximidade daquilo que se pode experimentar. Esta circunstância não deixa de ser essencial: é comum a suspeita de que uma coisa não experimentável não existe. Tal suspeita leva alguns pretensos crentes ( que não se dão ao trabalho de examinar mais a fundo a questão) a nomear de ateísmo ou então de gnosticismo a minha tentativa de reconstituir a alma primitiva inconsciente; de qualquer modo não reconhecem qualquer realidade psíquica como a do inconsciente. Se este significa alguma coisa, deve compor-se das fases percorridas antes do desenvolvimento histórico de nossa psique consciente.
Quase todos concordam que a hipótese do homem ter sido criado em toda a sua glória no sexto dia da criação, sem degrau anterior, é muito simplista e arcaica para nos satisfazer. Mas em relação a psique, as concepções arcaicas continuam em vigor: a psique não teria antecedentes arquétípicos; seria uma tábula rasa, uma criação inteiramente nova, que tem origem na ocasião do nascimento. Em suma, seria apenas o que ela mesma imagina ser.
 A consciência é filogenética e ontogeneticamente secundaria. O corpo tem uma pré-história anatômica de milhões de anos, o mesmo acontece com o sistema psíquico. O corpo humano atual representa em cada uma de suas partes, o resultado desse desenvolvimento, transparecendo as etapas prévias de seu presente, o mesmo acontece com a psique. A consciência começou segundo a perspectiva de seu desenvolvimento histórico, no estado quase animal de inconsciência, que a criança repete em sua diferenciação. A psique da Criança em estado pré consciente é nada menos que tábula ras;  pode-se reconhecer, sob todos os pontos de vista, que é pré-formada individualmente e equipada com todos os instintos especificamente humanos, inclusive com os fundamentos da priori das funções superiores.
É sobre esta base complexa que o eu se forma e é ela que o conduzirá ao longo da vida. Quando tal base não preenche seu papel de apoio, o Eu se detém e morre. A existência e a realidade dessa base são de importância vital. Comparado a ela, o mundo exterior tem uma significação secundária, pois afinal o que significará esse mundo exterior se me faltar o impulso endógeno que, normalmente, me incita a apoderar me dele? Jamais uma vontade consciente substituirá o instinto de vida. Esse instinto surge em nosso íntimo como uma obrigação, uma vontade, uma ordem e quando o chamamos de daimon pessoal, como sempre aconteceu e acontece, pelo menos exprimimos de forma pertinente a situação psicológica. E mesmo quando tentamos circunscrever mais precisamente mediante o conceito de arquétipo. o ponto em que o daimon nos agarra, nada eliminamos e nada podemos fazer para nos aproximar da Fonte da Vida.
É muito natural, pois, que na qualidade de psiquiatra (que significa médico da Alma) eu me incline para tal concepção, pois o que me interessa em primeiro lugar é saber como ajudar meus doentes a encontrar sua base e sua saúde. Através da experiência percebi a soma de conhecimentos que tal tarefa implica! Mas o mesmo ocorreu com a medicina em geral. Ela não progrediu descobrindo a cura mediante truques que teriam simplificado enormemente seus métodos. Pelo contrário, enveredou a perder de vista por complicações em grande parte devidas a empréstimos feitos a todas as ciências possíveis. Quanto a mim, não pretendo interferir de forma alguma e outras matérias; procuro simplesmente utilizar meus conhecimentos em meu domínio. Naturalmente, tenho o dever de justificar essas utilizações e suas consequências. Pois descobertas são feitas quando se transferem conhecimento de um domínio para outro afim de empregá-los de maneira prática.
Quantos achados não teriam ocorrido se os raios X deixassem de ser utilizados em medicina por ser uma descoberta da física! Quanto ao fato de que, em certos casos possa haver perigo na terapia pelos raios X, isso interessa ao médico, mas não necessariamente ao físico que serve desses raios de outra maneira e para outros fins. O físico não pensará que o médico pretende iludi-lo ao chamar-lhe a atenção para certas propriedades nocivas ou salutares da radioscopia Quando uso por exemplo conhecimentos históricos ou teológicos no domínio da psicoterapia, eles aparecem naturalmente sob uma nova luz e levam a outras conclusões que não aqueles limitados domínios de sua especialidade, onde servem para outros fins.
O fato de que uma polaridade está a base do dinamismo psíquico implica que a problemática dos opostos no sentido mais amplo, penetra no campo de discussão psicológica com todos os seus aspectos religiosos e filosóficos. Estes, então, perdem o caráter independente que possuem em seu domínio especializado e isto, necessariamente, porque são reprimidos, interrogados, sob um ângulo psicológico; não são mais considerados sob o ângulo da verdade filosófica ou religiosa, mas examinados no sentido de apurar o que comportam de significação e de fundamentos psicológicos
 Livres da pretensão de constituíem verdades idependentes,o fato de serem consideradas empiricamente,isto é, segundo a perspectiva da ciência de observação, faz com que tais verdades sejam sobretudo e antes de mais nada, fenômenos psíquicos. Este fato me parece indiscutível. Essas verdades pretendem ser fundadas em si mesmas e por elas mesmas; mas o modo psicológico de considerar as coisas perturba essa pretensão: isso não exclui simplesmente é possibilidade de que tal exigência seja vista ilegítima mas lhe consagra uma atenção toda particular. A psicologia ignora julgamentos tais como: "Isso é apenas religioso" "Isso é apenas filosófico" ao contrário da censura que a ela se dirige e frequentemente, em particular por parte do mundo teológico "Isso é apenas psíquico".
Todas as expressões possíveis e imagináveis, quaisquer que sejam, são produtos da psique, entre outras coisas, a psique aparece como um processo dinâmico que repousa sobre antíteses e sobre o caráter antiético de seus conteúdos, podendo ser representada como uma tensão entre dois polos. Como os princípios explicativos não devem ser multiplicados além do necessário, e a perspectiva energética foi satisfatória enquanto o princípio explicativo das ciências físicas, podemos limitar-nos a ela também, no que diz respeito à psicologia.
Não há qualquer dado seguro que demonstre que outra concepção seja mais adaptada; além disso, o caráter antiético, a polaridade da psique e de seus conteúdos se revelaram como um dos resultados essenciais da experiência psicológica.
Se a concepção energética da psique é correta, todas as constatações que procuram ultrapassaram as fronteiras da polaridade psíquica, como por exemplo, as afirmações a respeito de uma realidade metafísica, serão paradoxais se pretenderem reinvidicar qualquer validade. A psique não pode ir além de si mesma, isto é, não pode estabelecer o estatuto de qualquer Verdade Absoluta, pois, a polaridade que lhe é inerente, condiciona a relatividade de suas afirmações. Sempre que a psique proclama verdades absolutas, como por exemplo, "a essência eterna é o movimento", ou " a essência eterna é o Uno" - ela cai, nolen volens, num ou noutro, dos polos opostos. Pode poder-se-ia também afirmar: "a essência eterna é a imobilidade" ou "a essência eterna é o Todo". Caindo na unilateralidade a psique se desintegra e perde a faculdade de discernimento. Degenera numa sucessão de estados psíquicos irrefletidos ( porquanto se mostram refratários a reflexão) cada um deles acreditando-se fundado em si mesmo porque não vê ou não pode ainda ver outros estados.
Isso não exprime, naturalmente, qualquer julgamento de valor, mas formula o fato de que, muitas vezes ou mesmo inevitavelmente, se ultrapassa a fronteira, pois "tudo é transição". A tese é seguida pela antítese e entre as duas, nascem um terceiro termo, uma lysis, uma solução que não era perceptível anteriormente. Através desse processo, a psique mais uma vez, manifesta sua natureza antiética sem sair realmente de seus próprios limites.
Mediantee o esforço te mostrar as limitações da psique, não quero de forma alguma sugerir que existe somente a psique. Mas quando e na medida em que se trata de percepção e de conhecimento, não temos meios de ver além da psique. A ciência está implicitamente convencida de que existe um objeto não psíquico transcendente. Mas sabe também. como é difícil reconhecer a natureza real do objeto, particularmente quando o órgão das percepções é deficiente ou inexistente, ou quando as formas de pensamento que lhe seriam adaptadas, não existem, ou ainda estão por serem criadas. No caso em que, nem nossos órgãos sensoriais, nem seus aparelhos auxiliares artificiais nos garantem a existência de um objeto real, as dificuldades aumentam em proporções gigantescas, de maneira que se é simplesmente tentado a negar tal objeto.
Nunca cheguei a uma conclusão precipitada desse tipo porque nunca acreditei que nossas percepções pudessem aprender todas as fórmulas de existência. Por isso estabeleci o postulado de que o fenômeno das configurações arquetípicas - acontecimentos psíquicos por excelência -repousa sobre a existência de uma base psicóide, isto é, condicionalmente psíquica mas ligado a outras formas de ser. Por falta de elementos empíricos, não conheço as formas de existência que são corretamente designadas pelo termo espiritua.  Sob o ponto de vista da ciência, não é importante o que eu possa crer a esse respeito. Devo reconhecer minha ignorância. Mas na medida em que os arquétipos se revelam eficazes são para mim efetivos. Se bem que eu não saiba em que consistem realmente.

Trecho do livro: Memórias, Sonhos, Reflexões de C.G.Jung

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Complexo de Édipo e Complexo de Electra


Complexo de Édipo?



Resultado de imagem para complexo de ELECTRAComplexo de Édipo é um dos conceitos fundamentais de Freud, na Psicanálise. Este conceito refere-se a uma fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança e o progenitor do mesmo sexo pelo amor do progenitor do sexo oposto.

Complexo de Édipo foi introduzido por Freud na Psicanálise. Ele baseou-se numa tragédia da mitologia grega de Sófocles (Século V a. C.). Na tragédia grega, Laio e Jocasta tiveram um filho, Édipo. Este mata o pai para ficar com a mãe, terminando com o suicídio de Jocasta e a automutilação de Édipo.

O Complexo de Édipo é fundamental e essencial no desenvolvimento infantil. Esta é dada como Universal, isto é, comum a todos os seres humanos, apesar de existirem alguns estudos que questionam essa universalidade.
O Complexo de Édipo, caracteriza a separação entre a criança e os progenitores, que até ao momento isso não se verificava. Por outras palavras:
Quando a criança nasce, esta está completamente ligada aos pais, pela satisfação das necessidades, cuidados, etc. A criança está completamente dependente dos pais, numa relação fusional, visto que a criança não existe sozinha e separada dos pais. Os pais garantem a satisfação das suas necessidades e a total proteção do meio.

A criança cresce assim numa relação triangular (filho, pai e mãe), crescendo com a ideia que os pais, fazem parte de si (devido a extrema dependência). Vendo-os como um mecanismo “seu” para satisfazer as suas necessidades. O Complexo de Édipo vem então, “frustrar” a criança, marcando a separação entre ela e os pais (acontecendo por volta dos 3 até aos 6 anos de idade), neste momento a criança começa a perceber que não é o centro do mundo, que o amor não é unicamente para si e que os pais não a podem proteger completamente do mundo.
Percebendo que o pai e a mãe possuem uma relação, e não partilham consigo, pelo contrário, diminuem o amor e proteção face ao início (o que é normal). A criança responsabiliza internamente o progenitor do mesmo sexo pela separação, ambicionando o amor e proteção total como tinha no início pelo progenitor do sexo oposto.

Assim, nesta fase, a criança dirige sentimentos hostis em relação ao progenitor do mesmo sexo ou a qualquer outra coisa que desvie o amor e atenção do progenitor do sexo oposto. Porém, ao mesmo tempo que o menino é hostil para o pai porque lhe tira o amor da mãe, o menino ambiciona ser como o pai, identificando-se com o mesmo, visto que este conseguiu ter o amor da mãe.
Porém, atualmente verifica-se muitos casos que “dificultam” o Complexo de Édipo, isto é, no caso na inexistência física (divorciado, separado, viúvo, etc.) ou psicológica (negligente, submisso, etc.) do progenitor e no caso de não se impor limites/ barreiras entre mãe e filho, por diversas razões.
Freud afirma que quando o Complexo de Édipo fica “mal resolvido” podem existir várias consequências, tais como: a identificação com o progenitor do sexo oposto (homossexualidade, comportamento submisso, dependência excessiva ao sexo feminino, etc.), já que o menino sem pai, vai querer ser como a mãe. No extremo oposto, temos o menino que teve uma mãe (embora possa o pai estar presente) incapaz de se “separar” e de se impor limites a si e seu filho, passa a opressora e controladora, massacrando-o psicologicamente. O menino vai então replicar e generalizar a todas as mulheres o que vivenciou com a mãe. Assim, não vai conseguir amar as mulheres, curiosamente Freud afirma que pode tornar-se também homossexual, não por querer ser como uma mulher, mas por não conseguir ama-la, mostrando pouco interesse e desprezando o sexo oposto.

Por curiosidade, nas biografias de serial killers, encontram-se frequentemente Complexos de Édipos mal resolvidos (progenitores inexistentes, submissos, etc.).

COMPLEXO DE ELECTRA - Fases do Desenvolvimento Psicossexual


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Dando continuidade as fases do desenvolvimento psicossexual, a partir de Freud, hoje iremos abordar sobre o Complexo de Electra, vamos ao post.
O complexo de Electra é baseado no um mito grego segundo o qual Electra, para vingar o pai, Agamêmnon, incita seu irmão Orestes a matar a mãe, Clitemnestra, e seu amante Egisto, que haviam assassinado Agamêmnon.
Resultado de imagem para complexo de ELECTRAComo vimos, no complexo de Édipo o menino sente um amor intenso pela mãe, identificando-se com o pai, sente desejo em ocupar seu lugar sentindo então raiva, medo e culpa. Imagina então que o pai pode cortar seu pênis (complexo de castração). A menina também vive este complexo, mas neste caso sente inveja do pênis, originando o denominado complexo de Electra.
A menina, nesta fase, sente uma espécie de frustração e ressentimento para com a mãe, culpabilizando-a por não possuir o pênis, este é um momento crítico no desenvolvimento feminino. Segundo Freud: "A descoberta de que é castrada representa um marco decisivo no crescimento da menina. Daí partem três linhas de desenvolvimento possíveis: uma conduz à inibição sexual ou à neurose, outra à modificação do caráter no sentido de um complexo de masculinidade e a terceira, finalmente, à feminilidade normal"(1933, livro XXIX, p.31).
Inicialmente, tal como os meninos é para a mãe que são dirigidos os impulsos eróticos da menina, mas por considerar-se castrada pela mãe, ela busca nas excitações clitorianas a resposta para o que a diferencia anatomicamente do menino, mas a  expectativa de que  o clitóris cresça e se transforme num pênis é logo descartada. O que gera um sentido de frustração para a com a mãe, quando ela sente que precisa abandonar o foco do clitóris para a vagina e canalizar o amor que sentia pela mãe no amor paterno.

Para as meninas, o problema do Complexo de Édipo é similar, inverso. A menina deseja possuir seu pai e vê sua mãe como a maior rival. A menina tenta seduzir o pai e, se o casal for funcional, quem vai faz o rompimento é a mãe, esclarecendo para a filha que ele é seu pai e marido da mãe. É num primeiro momento um choque entre mãe e filha, mas através de um bom relacionamento de troca e identificação com a mãe (colocar os cremes da mãe, o batom, os sapatos, as roupas) termina aqui o complexo de Electra.
Importante salientar que, no complexo de Édipo, o primeiro amor do filho é heterossexual (a mãe) e ele disputa com o pai. Já na questão feminina (Electra), o primeiro amor é homossexual (a mãe), por volta dos três anos instintivamente, a menina se apaixona pelo pai, e se sente traindo a mãe que foi seu primeiro amor, o que provoca um sentimento de culpa que pode marcar a menina pelo resto da vida; essa culpa pode acarretar numa relação disfuncional ou difícil como foi a relação com a mãe.
Porém, quando um casal tem uma relação desequilibrada afetivamente, pode ocorrer um Complexo de Electra Disfuncional, ou seja, a filha vai seduzir o pai e a mãe não faz rompimento, porque ela não se importa com o pai. A mãe inclusive, projeta na filha que ela seja a filha/esposa que o pai idealiza. Nesse caso, a filha deixa de ter um referencial no papel de pai, podendo ocorrer um envolvimento sexual que pode chegar a acontecer realmente. Ela é que pode não querer se casar, porque inconsciente se sente casada com o pai. Ou poderá buscar relacionar-se afetiva e sexualmente com homens mais velhos (que representam a figura do pai). Pode ainda acontecer dela não conseguir se relacionar afetivamente com a mãe (e vice-versa), por se sentirem rivais de fato, o que culmina na falta de referencia de pai e mãe. A filha pode ainda, criar uma aversão à mãe,  ela vai se identificar com o pai, porque a mãe não fez rompimento, porém ela pode criar uma identidade masculinizada e caso ela tenha uma irmã pode tratar a irmã como filha. Neste caso pode ocorrer uma homossexualidade latente ou emergente e esta poderá buscar na relação com outra mulher a mãe que não teve.  Há ainda aquelas mulheres homossexuais que amam o pai e odeiam a mãe, como o inverso, aquelas  que odeiam o pai e defendem a mãe que é anulada e submissa a esse pai.
Já quando o pai exerce o papel feminino, mas tem um relacionamento afetivo-sexual harmonioso com a mãe, quando a filha o seduz, a mãe faz o rompimento e a filha passa a se identificar com a mãe, que exerce o papel masculino no relacionamento do casal. Nesse caso, a filha irá ao relacionar-se afetiva e sexualmente procurar um homem que tenha a sensibilidade do pai.
Porém, quando essa inversão de papéis não é aceita pela mãe, e o casal tem um relacionamento em desarmonia, a mãe cria frente à filha uma imagem negativa do pai, o que pode ocorrer pelo fato do pai ser afetivo com a filha e a mãe sentir-se enciumada, o que pode dificultar o relacionamento da filha com outros homens, por ela não ter um referencial positivo do pai, por não valorizá-lo enquanto homem, sendo assim, a filha irá buscar uma relação homoafetiva com uma mulher que seja passiva como o pai.
A superação do complexo de Electra se dá quando a menina passa a se identificar novamente com a mãe, assumindo uma identidade feminina e buscando em outros homens referências como a do seu pai.
Importante apontarmos que, numa relação disfuncional entre um casal, ou seja, quando ambos não exercem nem seus papéis sociais masculinos e femininos nem suas funções pais, os filhos ficam órfãos de referenciais afetivo-sexuais, e com uma carência afetiva e emocional sobre como é ter e exercer o papel de pai e mãe. Muitas vezes, na relação é a criança que acaba exercendo o papel de seus cuidadores, tendo que tomar decisões que caberiam aos adultos. Esta criança, futuramente, poderá ter dificuldades emocionais e buscar na fase adulta de um relacionamento afetivo com uma pessoa que exerça não apenas o papel afetivo-sexual do relacionamento marido-mulher, mas também de forma compensatória, alguém que possa suprir a carência que a criança teve na infância de atenção, cuidado e amor paternal e maternal. Assim como, esta pessoa também irá exercer com o companheiro(a) diversos papéis. O tratamento que dispensará ao seu companheiro(a) irá se diversificar podendo tratar a outra pessoa ora como filho(a), ora como pai, ora como mãe.  
Importante lembrarmos que as atitudes, comportamentos e relações afetivo-sexuais dos pais serão base sobre a qual a criança formará sua identidade. Muitas vezes, neste período quer dormir entre os pais, dizendo que se sente amedrontada. Porém, devemos lembrar que embora seja que as crianças sintam-se protegidas também precisa aprender sobre limites.
Devemos esclarecer que temos espaços conjuntos e espaços individuais, que devem ser respeitados, por isso, vocês pais não devem permitir às crianças invadir sua privacidade. Temos que apoiar nos filhos, estar sempre presentes em suas vidas, protegê-los, fazer com se sintam amados, mas isso não significa anular nossa vida em função deles, quando nos anulamos seja por qual motivo for, nos tornamos pessoas frustradas e por isso incapazes de amar e ser feliz plenamente, e se não estamos bem não conseguimos proporcionar isso a outrem.
Não deixem de viver sua vida de casal em prol de manhas, choros que normalmente ocorrem quando os pais resolvem sair juntos, entendam que esse limite também é um aprendizado necessário para a maturidade da criança. Expliquem que assim como temos a hora de comer, de dormir, de brincar, de ir à escola, de fazer a lição de casa, de jogar com o papai, etc. Temos também a hora do papai da mamãe estarem juntos, namorar.
Ainda pautando na psicanálise se a criança não desenvolver adequadamente essa fase, ou tenha exemplos de identificação negativos, pai ou mãe  agressivos, repressores, alcoólatras, a criança cria uma aversão ao seu progenitor do mesmo sexo, e passa a se identificar com o outro, o que Freud aponta como uma polêmica causa para a homossexualidade. Ainda em relação a personalidade crianças que não superaram esta fase e tiveram pais muito rudes, podem tornar-se pessoas que querem sempre ditar as regras, esbanjar dinheiro, estar sempre na liderança, como forma inconsciente e compensatória de acreditar e mostrar que não sofreu a castração.
Crianças que superam amorosamente as fases do desenvolvimento psicossexual, serão adultos mais afetivos e  equilibrados, sensíveis, capazes de que expressar seus sentimentos, de cultivar amizades, enfim serão mais felizes.
Por hoje é só, no próximo post abordaremos sobre o Período de Latência. Forte abraço e até lá!

Fonte:Educação e sexualidade prof Claudia Bonfim

domingo, 23 de outubro de 2016

Alma, um COMPLEXO MÚLTIPLO INDETERMINADO.

Esse blog foi feito para acompanhar meus estudos sobre a psicologia analítica Junguiana, xamanismo, e gnose, então aqui terão reflexões minhas sobre assuntos variados e conforme vou unindo meu quebra-cabeça, vou adentrando meu consciente, inconsciente, vou colocando aqui essas reflexões. E hoje, uma delas é essa:

Creative Digital Illustrations by George Redreev:

E se tudo o que a gente vive, se todas as emoções expressadas, desde as pequenas até as mais gritantes, forem apenas expressões do nosso verdadeiro Eu?
Quero dizer que lendo sobre a sombra, os complexos, o ego, a minha estadia na Terra, comecei a refletir se talvez essa nossa passagem aqui na Terra, seja para nos permitir experimentar emoções e poder expressa-las conforme vamos colocando pra fora, conforme vamos aceitando o que está de alguma forma tentando sair.
Existe uma teoria de alguns cientistas, alguns místicos também, que diz que nossa vida não se limita apenas ao nosso corpo, somos consciência e como tal, ao que entendo, por falta de uma melhor definição, podemos nos considerar então, infinitos. Se morremos e renascemos em outros corpos para uma nova vida, então quem sou eu pra dizer que somos finitos como consciência? Quantas vezes você já viveu e já morreu?
Um religioso que ACREDITA que não existe vida após a morte pode falar que ele é finito, essa é a percepção dele das coisas, mas daí a ser verdade, é outra história. Voltemos a psicologia analítica...
Uma vez, Emma Jung em um congresso, disse:
"Na concepção primitiva, a alma não é bem uma unidade e sim, um complexo múltiplo indeterminado."
 Se a alma é um complexo múltiplo indeterminado, então o que seriam e do que consiste esse "complexo múltiplo"?
Pensei cá com meus botões, já ouvi teorias de pessoas que dizem que somos multidimensionais, querem dizer com isso, que existimos em várias dimensões ao mesmo tempo, não existimos apenas nessa vida, nesse corpo, mas sim de várias outras formas, planetas e me ocorreu que esse "complexo múltiplo indeterminado" possa estar relacionado com essa teoria da multidimensionalidade.
Não deixando de salientar que a minha percepção das coisas que escrevo, tem a ver com tudo que já li e refleti sobre o que me dediquei a tentar entender, desde a teoria da multidimensionalidade, à vida extraterrestres, não posso me limitar apenas ao que é aceito aos olhos da religião, da sociedade, porque entendo que tudo o que suprime, tudo que prende, tudo que é imposto como certo, sem dar margem para o questionamento, para a dúvida, prejudica a livre forma de eu experimentar minhas emoções e como estou aqui para aprender através dessas emoções, então não experimenta-las seria como me proibir de aprender.
Continuando, Emma Jung também disse:

"Na concepção primitiva, a alma não é bem uma unidade e sim, um complexo múltiplo indeterminado.
Esse fato expressa-se nas representações, encontradas em todos os povos, de espíritos ou almas que habitam as pessoas, seja por terem se introduzido antes ou durante o nascimento, ou por terem se apoderado do individuo em alguma outra ocasião posterior, para nele exibir sua atividade."

Existem duas formas de ver ( segundo minha percepção ) isso que ela disse, a forma que vou chamar de número 1, uma forma mais otimista, espiritualista e a número 2, uma forma também espiritualista, não muito otimista e bem dura. Vou começar com a primeira.
Forma de ver e entender 1:
Se estamos aqui apenas para experimentar todas as nuances das nossas emoções, se estamos aqui para nos experimentarmos como seres que possuem a capacidade e a liberdade de escolher, então tudo o que nos oprime, tudo o que nos proíbe, consequentemente nos faz mal e nos atrasa. Seria como se a opressão fosse como obstáculos, ás vezes conseguimos pula-los, outras tropeçamos mas seguimos em frente, as vezes caímos, nos machucamos mas levantamos e continuamos e outras vezes a queda é tão brutal que ficamos lá no chão, largados, essa última em termos de psicologia, entendo como se fossem os traumas que não nos permite voltar a caminhar. E o que é um trauma segundo a ciência?

A terminologia trauma em medicina admite vários significados, todos eles ligados a acontecimentos não previstos e indesejáveis que, de forma mais ou menos violenta, atingem indivíduos neles envolvidos, produzindo-lhes alguma forma de lesão ou dano. Uma das definições adotadas se refere ao conjunto das perturbações causadas subitamente por um agente físico, de etiologia, natureza e extensão muito variadas, podendo estar situadas nos diferentes segmentos corpóreos. Independente de sua melhor definição, o fato é que o trauma é uma doença que representa um problema de saúde pública de grande magnitude e transcendência.

E traumas podem causar depressões, quem sente e tem depressão, automaticamente é uma pessoa que tem medos extremos, medos acarretam em mais restrições e mais opressões e por aí vai, está dando pra entender onde quero chegar?
Não é uma conclusão ainda, mas baseada nessa forma de ver, começo a entender o porque tudo que oprime de certa forma está ligado com a maioria dos problemas/traumas de diversas pessoas, problemas como, auto-estima, orientação sexual, aceitação, etc.
Mas tudo bem, porque essa forma número 1 de ver as coisas, sugere que estamos, mesmo quando passando por problemas tão dolorosos, nos testando e para que serve um teste, senão, para nos fortificar? Então por mais que doa por tudo o que você esteja passando, é PASSAGEIRO, infelizmente é muito mais fácil dizer do que experienciar por si só, mas seria impossível experienciar apenas tendo a teoria como base, para vivermos aqui nesse planeta, é preciso muito mais do que teoria, é preciso a PRÁTICA e a ideia dessa forma número 1 de ver as coisas, é que quanto mais você se permitir, quanto mais se aceitar como é, quanto mais escolher e aprender a lidar com as consequências das suas escolhas, quanto menos oprimir o que é para ser experienciado, mais você consegue a técnica de dominar a si mesmo e entender a si mesmo é o passo principal para dominar a realidade que está na sua frente, da forma como você achar mais conveniente.

Forma de ver e entender 2:
Essa percepção vem de estudos ligados a gnose, xamanismo que eu associo à psicologia analítica, por isso eu disse que seria mais dura do que a primeira.
Esses estudos explicam a ideia de que infelizmente existe em nosso planeta, seres que de certa forma já estão passos à nossa frente, eles se baseiam nisso, tendo como base e exemplo, o sistema em que vivemos. Como dito na forma número 1, os obstáculos existem para que possamos ultrapassa-los, mas como podemos ultrapassar obstáculos, se estamos e vivemos drogados? Por que drogados?
Não precisamos ser gênios, psicólogos, para notarmos que a forma como a sociedade ( mídias, corporações, etc ) trabalha na mente das pessoas, é a mais baixa forma de se trabalhar com seres que possuem capacidade de pensar. Estamos a todo momento sendo bombardeados por propagandas que nos induzem subliminarmente a comer o que vendem, a pensar o que sugerem, interagimos com as doenças remediando-as e não buscando uma cura, estamos a procura do que nos faz feliz como se para estar feliz fosse necessário algo que possamos comprar, algo que esteja fora. Quando digo que nos drogamos, quero dizer que independente das drogas usadas, se ilícitas ou lícitas, e nas lícitas pode-se incluir tudo que esteja ligado a manipulação mental, sugestão, mensagem subliminar ( propagandas, televisão ) e drogas viciantes desde o açúcar ao álcool. E como é fazer escolhas quando estamos dopados? Parem por um momento e imaginem uma pessoa normal que recebe para passar o dia, comprimidos que o deixará dopado, depois peça pra ele tomar decisões importantes no decorrer do dia. Como seriam essas decisões? Não pense que por não tomar remédios fortes, você não esteja dopado também, pare e faça uma pesquisa sobre o controle mental que está sendo usado nas pessoas e depois retorne e releia esse texto.
As escolhas que fazemos, são feitas de forma natural, se não estivéssemos dopados, teríamos feito essas escolhas mesmo assim?
O que sabemos sobre os vícios a ponto de achar que eles não fazem tanta diferença nas nossas escolhas?
E que escolhas são essas que são tomadas por uma mente que foi sugestionada?
Revejam o que foi dito por Emma:
"Esse fato expressa-se nas representações, encontradas em todos os povos, de espíritos ou almas que habitam as pessoas, seja por terem se introduzido antes ou durante o nascimento, ou por terem se apoderado do individuo em alguma outra ocasião posterior, para nele exibir sua atividade."

O que se apoderou de nós? Será que quando tomamos certas decisões, ou quando escolhemos alguma coisa, estamos escolhendo por nós mesmos, ou porque algo nos sugestiona?
E até que ponto não estamos andando em círculos?
Talvez sair desse círculo viciante a medida que nos aprofundamos nele, a medida que ficamos cada vez mais dependente do que vem de fora, do externo, nos atrasa horrores.
Eu sei que podemos e somos capazes de controlar nossa realidade, mas se estamos dopados, qual realidade estamos controlando? Ou estamos sendo controlados para que possamos criar uma realidade para terceiros?
Infelizmente eu não posso ignorar a proposta gnóstica e xamânica, de que estamos no meio de um jogo sujo, que nos sabota, mas essa mesma proposta que fala isso, também explica que não podemos nos tomar apenas como vítimas, precisamos arregaçar as mangas e começar a dizer não e procurar por alternativas mais naturais de vida, por uma espiritualidade que seja livre de limitações, que seja livre da dependência de avatares, avatares esses que supostamente estão sempre prontos para nos salvar, de arquétipos que estão presos no inconsciente coletivo das pessoas por gerações e gerações e que não sai com facilidade porque o meio em que vivemos está a todo momento nos bombardeando com a ideia de mais arquétipos, super heróis, super modelos, santos, deuses.
E se estamos aqui para poder experimentar nossas emoções, se elas são mudadas por induções, até que ponto elas estão de fato sendo vividas de forma plena?
Eu adoraria dizer que a forma número 1 de ver as coisas é a correta, mas não dá pra ignorar a visão e os pontos destacados pela número 2.
Até certo ponto essas duas formas se entrelaçam mas ao meu ver a número 1 perante a sociedade em que vivemos, é extremamente ingênua e até certo ponto verdadeira também.
Só que eu não sei até que ponto podemos ser tão ingênuos e até que ponto isso nos prejudica, prefiro ser mais realista e trabalhar com as informações que fazem sentido pra mim, nunca me esquecendo de equilibrar tudo o que vejo.

A psicologia analítica fala sobre muita coisa que vou trazer para refletir aqui, as sombras, os arquétipos, os complexos e dentre esses temas, vou introduzir a percepção gnóstica e xamanica tentando ligar e montar o MEU quebra-cabeça.
Repito que essa é a forma que eu vejo as coisas, não estou dizendo que é a única e nem a verdadeira, mas sim que faz sentido pra mim e se os textos de alguma forma ajudar você a expandir sua percepção, a construir sua reflexão, bem vindo. =)
Pri





sábado, 27 de fevereiro de 2016

O Self ou Si-mesmo

Conforme Carl Jung, o Si-mesmo, ou Self, é uma imagem arquetípica do potencial mais pleno do homem, ou seja, da totalidade. Ele ocupa a posição central da psique como um todo e, portanto, do destino do indivíduo.
É mais abrangente que o ego, que a ele encontra-se subordinado. O ego, então está para o Self, assim como a parte está para o todo.
É muito difícil definir conceitualmente o Self, mas uma definição mais aproximada, mesmo que limitada, seria a da “divindade interior“, aImago - Dei que cada indivíduo carrega em seu íntimo. Essa imago, então é capaz de produzir sentimentos maravilhosos de êxtase, mas também o mais assombroso temor e respeito.
E essa imagem é comumente projetada em divindades externas, dentro dos sistemas religiosos.
Jung foi intensamente criticado por apresentar esse conceito de Self. Foi criticado tanto por religiosos como por médicos cientistas. Os religiosos acusaram-no de tentar deduzir Deus a uma função psicológica, ao passo que os médicos estudiosos da época acusaram-no de tentar substituir a ciência pela metafísica, o tornando um místico.
Ele, infelizmente, nunca conseguiu fazer seus críticos entenderem que estava definindo uma realidade psicológica, e não de uma realidade religiosa, nem material ou metafísica.
O que ocorre é que mesmo que exista ou não um Deus literal, e mesmo que o individuo não acredite em nenhum Deus, o arquétipo do numinoso é um recurso inato da humanidade, e extremamente necessário à totalidade psicológica. Todos os indivíduos se sentem impulsionados a buscar essa totalidade, cada um com sua forma peculiar e particular de encarar o numinoso.
É uma força tremenda e compulsiva que leva o ser humano em direção ao significado, ao encontro fatídico do seu destino. Não que o eu não possua livre arbítrio, ele possui e por vezes suas escolhas atrapalham o processo de desenvolvimento da personalidade, porém seu campo de escolha é limitado dentro da órbita da consciência.
A criança, antes da formação do seu ego consciente, possui esse sentido de totalidade inato. Quando adultos esse sentimento é alcançado através de uma união do consciente com os conteúdos inconscientes da sua mente, ou seja, por meio da função transcendente, que nada mais é que oSelf.
Sobre essa função Jung comenta em A Natureza da psique.
“Por "função transcendente" não se deve entender algo de misterioso e por assim dizer suprasensível ou metafísico, mas uma função que, por sua natureza, pode-se comparar com uma função matemática de igual denominação, e é uma função de números reais e imaginários. A função psicológica e "transcendente" resulta da união dos conteúdos conscientes e inconscientes.”


O Self é tanto a fonte do processo de individuação com seu fim último.

No processo de individuação há confronto do ego com o Self, onde o mesmo deve ser reconhecido, integrado e realizado.
Entretanto, o ego, só irá se defrontar com um fragmento dessa totalidade que irá se manifestar na Imago – Dei, ou seja, na imagem arquetípica do Self. Por isso não se deve confundir o arquétipo doSelf com o inconsciente tal e qual. O Self é um conteúdo especial e uma imagem arquetípica da totalidade, do potencial mais pleno do homem, a unidade da personalidade como um todo.
Quando ocorre esse encontro entre ego e essa imagem arquetípica, ele é geralmente carregado de muito temor. O ego assimila esse encontro como uma espécie de morte, pois ele terá de abdicar de ser o centro (e foi assim ele se sentiu até então!). E é nessa hora que o ego pode se esquivar do processo.
Não é nada fácil esse encontro! É por meio do Self, que o individuo é posto em confronto com o bem e mal, com o humano e divino, com o finito e o infinito. O ego compreende a sua finitude e a sua incompletude.
O Self é inumano, amoral, pois nele não há divisão entre opostos, não há bem e mal, não há masculino e feminino. Portanto, ele não se limita as nossas expectativas de moralidade.
O meio dito “junguiano” tem deturpado a noção do Self e ingenuamente falam desse encontro, descrevendo-o como um encontro com o anjo da guarda e com seres de luz. E com isso negligenciamos e negamos as trevas, buscando cada vez mais uma perfeição impossível de ser alcançada.
No dicionário crítico junguiano, é dito que Jung enfatizava que o Self deveria ser comparado a um demônio, um poder determinante sem consciência, onde as decisões éticas são relegadas ao homem, à consciência, e, com relação a intervenções do Self, que podem advir através de sonhos, por exemplo, Jung advertia que uma pessoa deve, tanto quanto possível, estar cônscia daquilo que ela decide e do que faz. Depois, se responde positivamente, não está simplesmente submissa ao arquétipo nem obedecendo a seu próprio capricho; ou, se se desvia, fica consciente de que pode estar destruindo não apenas alguma coisa de sua própria invenção, mas uma oportunidade de valor indeterminado. O poder de exercer tal discriminação é a função da consciência.
O Self, portanto, é uma realidade psicológica. Cada indivíduo possui uma imagem do divino em seu intimo, é uma imagem interior particular, influenciada pela cultura e pelo meio onde vive.
O encontro com essa imagem leva ao processo de individuação, que consiste em desempenhar seu papel único na sociedade.
Mas um dos maiores perigos desse encontro é o da inflação. O ego pode se identificar com a divindade e sucumbir ao complexo de Deus. Por isso o eu precisa ser o mais flexível possível, para estabelecer fronteiras individuais e conscientes para não sucumbir à força das imagens arquetípicas e inconscientes.
A interação entre o ego e o Self é um processo incessante, que irá se expressar na individualidade da vida de uma pessoa.
O Self fala conosco por meio dos sonhos, e escutar esses sonhos pode trazer desenvolvimento e amadurecimento à personalidade.
Em O homem e seus símbolos, Von Franz diz:
“Tudo acontece como se o ego não tivesse sido produzido pela natureza para seguir ilimitadamente os seus próprios impulsos arbitrários, e sim para ajudar a realizar, verdadeiramente, a total idade da psique.”
O Self está ai para nos dizer, que simplesmente não possuímos controle de nada. Ouvir os sonhos é procurar saber o que a totalidade quer de nós. Não estamos ao nosso próprio serviço, mas temos escolha entre realizar nosso potencial, contribuindo assim para uma sociedade mais consciente, ou atrapalhar nosso desenvolvimento e o de outros.